Auditor na mira da PF por pesquisar ex de amigo

Auditor na mira da PF por pesquisar ex de amigo

auditor na mira da PF é o auditor fiscal Ricardo Mansano de Moraes, que, segundo o diretor da Unafisco Nacional, Kleber Cabral, foi alvo de investigação após acessar áreas restritas do sistema da Receita para verificar se uma conhecida era ex-esposa de um amigo. O episódio veio à tona em fevereiro de 2026, quando a Polícia Federal cumpriu mandados e a investigação passou ao crivo do Supremo Tribunal Federal.

O que aconteceu

De acordo com Cabral, Mansano teria consultado registros de 2008 — período em que, segundo ele, o casal estava junto — por mera curiosidade. A versão apresentada tenta distinguir um acesso pontual e motivado por interesse pessoal de um eventual vazamento sistemático de dados fiscais de autoridades, que é o objeto do inquérito em curso no STF.

Quem são as partes envolvidas

Quem relatou o episódio à coluna foi Kleber Cabral, diretor da Unafisco Nacional. O servidor apontado é Ricardo Mansano de Moraes, lotado na Delegacia da Receita Federal em São José do Rio Preto (SP) e com carreira iniciada em 1995. O caso também envolve questionamentos direcionados pelo ministro Alexandre de Moraes ao âmbito da Receita Federal, que culminaram na abertura de investigação mais ampla sobre acessos a dados de ministros do STF e de familiares.

Medidas adotadas

Por decisão do relator no STF, o auditor foi alvo de busca e apreensão, teve os sigilos bancário, fiscal e telemático quebrados e foi proibido de deixar a cidade onde mora. Ele ainda cumprirá recolhimento domiciliar noturno e nos fins de semana, teve o passaporte apreendido e passou a usar tornozeleira eletrônica. Mansano foi afastado das funções na Receita após a operação.

Reação e contexto

Cabral afirmou que conversou por telefone com Mansano no dia da operação e que o servidor está abalado. Segundo o diretor, a Receita já havia notificado o auditor sobre um processo administrativo, mas ele não esperava uma ação da Polícia Federal tão cedo e em horário matutino.

Outros investigados e dados de carreira

Além de Mansano, o inquérito aponta outros três servidores: Luiz Antônio Martins Nunes (técnico do Serpro), Luciano Pery Santos Nascimento (técnico do Seguro Social) e Ruth Machado dos Santos (técnica do Seguro Social). A coluna aponta que Mansano chegou a receber R$ 51 mil em dezembro de 2025 por rendimentos que incluem indenizações e gratificações, embora seu salário base seja informado em R$ 38.261,86.

Críticas à apuração

Cabral questionou a forma como as suspeitas foram tratadas, afirmando que o procedimento poderia ter sido inicialmente administrativo pela Receita, com pedido específico sobre qual dado teria vazado. Ele classificou as medidas coercitivas impostas como desproporcionais diante da narrativa de um acesso motivado por curiosidade.

O caso segue em investigação no STF, com as diligências da Polícia Federal e procedimentos administrativos na Receita Federal, e deve trazer desdobramentos sobre controles de acesso a sistemas e responsabilidade funcional de servidores públicos.

Essa matéria usou como fonte uma matéria do site Metrópoles