A SUPERAÇÃO DA CARÊNCIA
ARTIGO
¹⁵ Ao cair da tarde, vieram os discípulos a Jesus e lhe disseram: O lugar é deserto, e vai adiantada a hora; despede, pois, as multidões para que, indo pelas aldeias, comprem para si o que comer. ¹⁶ Jesus, porém, lhes disse: Não precisam retirar-se; dai-lhes, vós mesmos, de comer. ¹⁷ Mas eles responderam: Não temos aqui senão cinco pães e dois peixes. ¹⁸ Então, ele disse: Trazei-mos. ¹⁹ E, tendo mandado que a multidão se assentasse sobre a relva, tomando os cinco pães e os dois peixes, erguendo os olhos ao céu, os abençoou. Depois, tendo partido os pães, deu-os aos discípulos, e estes, às multidões. ²⁰ Todos comeram e se fartaram; e dos pedaços que sobejaram recolheram ainda doze cestos cheios. ²¹ E os que comeram foram cerca de cinco mil homens, além de mulheres e crianças. Mateus 14:15-21ARA
Na economia do Reino, o suprimento não deriva do acúmulo de bens, mas da dependência plena do Criador e de um espírito grato. Vencemos a falta quando compreendemos que a multiplicação divina não ocorre sobre o que retemos para nós, mas sobre o que depositamos nas mãos do Mestre. Como observa Charles Spurgeon (2022), "Deus não precisa de grandes recursos para realizar grandes coisas; Ele precisa apenas de corações dispostos a entregar o pouco que possuem".
A superação da carência manifesta por Cristo revela três fatos importantíssimos:
1º fato: As circunstâncias não limitam a ação de Jesus. O ambiente era inóspito, o tempo estava escasso e a necessidade era urgente. Para a lógica humana dos discípulos, a única saída era a retirada. Entretanto, Jesus não se deixa restringir por cenários adversos. O que o homem interpreta como um beco sem saída, o Messias utiliza como palco para a manifestação da glória de Deus.
2º fato: A generosidade transforma o ser humano em canal de provisão. Jesus convoca Seus seguidores para serem coparticipantes do milagre. Ao dizer "dai-lhes vós mesmos de comer", Ele estabelece que a generosidade é o elo entre a nossa limitação e a plenitude divina. William Barclay (2004) destaca que "o milagre começa quando o homem decide compartilhar o que tem; Jesus toma o pouco de um e o transforma no sustento de todos". A prontidão em entregar o que se tem é o requisito para que o extraordinário aconteça.
3º fato: A plenitude é a marca do Governo de Deus. A estratégia de Jesus envolveu organização, gratidão e distribuição. Ele não ofereceu apenas o mínimo para a subsistência, mas promoveu uma mesa farta onde todos se saciaram. Segundo Hernandes Dias Lopes (2010), "o milagre da multiplicação prova que o Reino de Deus é um lugar de suficiência, onde a gratidão precede a provisão". Superamos a mentalidade de falta quando alinhamos nossa visão à generosidade inesgotável do Pai.
A vitória sobre a carência se fundamenta em três pilares: 1º Soberania: Jesus está acima das crises e do tempo; 2º Serviço: Aquele que é generoso jamais padece de falta, pois torna-se um distribuidor das riquezas celestiais; 3º Confiança: O padrão do Reino de Deus é a abundância para quem vive em gratidão e entrega.
Ao consagrarmos nossas parcas ferramentas a Jesus, o deserto floresce, o insuficiente se torna abundante e a carência desaparece.
Referências Bibliográficas:
BARCLAY, William. O Novo Testamento comentado: Mateus. Vol. 1. Tradução de Carlos Biagini. Buenos Aires: Editorial La Aurora, 2004.
BÍBLIA. Português. Bíblia de Estudo Almeida. Tradução de João Ferreira de Almeida. 2. ed. Barueri: Sociedade Bíblica do Brasil, 1999.
LOPES, Hernandes Dias. Mateus: a vinda do Rei e o Reino de Deus. São Paulo: Hagnos, 2010.
SPURGEON, Charles H. O Evangelho de Mateus: o comentário popular do Príncipe dos Pregadores. São Paulo: Vida, 2022.









