VIOLÊNCIA AO LONGO DA HISTÓRIA E NA CONTEMPORANEIDADE: UMA ANÁLISE CRÍTICA DAS CAUSAS, EXPRESSÕES, DESAFIOS SOCIAIS E SUGESTÕES PARA A SUPERAÇÃO.

ARTIGO

VIOLÊNCIA AO LONGO DA HISTÓRIA E NA CONTEMPORANEIDADE: UMA ANÁLISE CRÍTICA DAS CAUSAS, EXPRESSÕES, DESAFIOS SOCIAIS E SUGESTÕES PARA A SUPERAÇÃO.
V. A. Duarte

A violência constitui um fenômeno social multifacetado que acompanha a trajetória da humanidade, manifestando-se desde os períodos mais remotos até o presente. Em sua essência a violência transcende o ato físico e envolve complexas relações de poder, opressão e exclusão. Presente desde as primeiras organizações sociais ela moldou impérios, justificou regimes autoritários e ainda influencia relações interpessoais e institucionais. Na contemporaneidade, assume novas feições, como a violência simbólica e digital, exigindo abordagens mais amplas para sua compreensão e superação.

Violência histórica como expressão de dominação

Diversos momentos da história foram marcados pela legitimação da violência e entre eles destacam-se: a. As conquistas territoriais e guerras que demonstram a valorização da força como instrumento político; b. O colonialismo europeu que impôs práticas violentas, como genocídio, escravidão e aculturação forçada; c. Os regimes totalitários, especialmente no século XX, que institucionalizaram a violência através de repressão política, controle ideológico e perseguições em massa.

Esses exemplos evidenciam como a violência tem sido utilizada para manter estruturas de poder e subordinar grupos sociais.

Violência contemporânea e seus desdobramentos sociais

Na sociedade atual, as formas de violência se ampliaram e se tornaram menos visíveis e entre elas observa-se: a. A violência urbana, marcada por crimes, tráfico e conflitos armados, está frequentemente ligada à exclusão socioeconômica; b. A violência doméstica e de gênero que persiste como um problema estrutural, silencioso e sistemático; c. A violência simbólica que é naturalizada nas relações sociais e institucionalizada em práticas discriminatórias; d. Os conflitos geopolíticos atuais que reforçam o uso da força como ferramenta de disputa entre nações.

A banalização da violência, inclusive em ambientes digitais, demanda uma resposta que vá além da repressão e envolva educação crítica e políticas transformadoras.

Romper com os ciclos históricos da violência exige repensar os paradigmas sociais que a sustentam. A justiça social, a equidade e a valorização da dignidade humana são caminhos que possibilitam uma transformação real evidenciando a necessidade de maiores investimentos em políticas públicas integradas, ações educativas e culturais que promovam o respeito, a escuta e a convivência democrática.

É preciso antes e acima de tudo que cada ser humano se engaje na prática da filosofia da não violência. Inspirada por Mahatma Gandhi, é uma prática ativa de amor, verdade e justiça em que o princípio central da filosofia é o ahimsa—não-violência—que vai além da ausência de agressão física, abrangendo pensamentos, palavras e atitudes. Originado das tradições espirituais indianas, o conceito prega respeito à vida e à natureza.

Gandhi aplicou esse ideal na luta pela independência da Índia, promovendo desobediência civil sem derramamento de sangue. Para ele, o verdadeiro poder não vinha da força física, mas de uma vontade inabalável de defender o bem. Na era contemporânea, onde prevalecem respostas agressivas aos conflitos, seus ensinamentos oferecem um caminho ético baseado no diálogo e na compaixão.

Cultivar a não-violência exige prática, paciência e empatia, especialmente ao enxergar o outro como parte da comunidade humana. A compaixão, que implica agir para aliviar o sofrimento alheio, é vista como essencial à paz e à harmonia social. Esse legado, alicerçado na força moral e no engajamento pacífico, continua a inspirar transformações duradouras em todo o mundo.

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Referências

  • BOURDIEU, Pierre. A dominação masculina. Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 1999.
  • MINAYO, Maria Cecília de Souza. Violência social sob a perspectiva da saúde pública. Ciência & Saúde Coletiva, Rio de Janeiro, v. 11, n. 2, p. 375–384, 2006.
  • BERNASKI, Juliane; SOCHODOLAK, Hélio. História da violência e sociedade brasileira. Oficina do Historiador, São Leopoldo, v. 11, n. 1, p. 43–60, 2018.