Justiça mantém prefeito afastado de Terenos com tornozeleira por mais três meses

Adriel Mattos

Justiça mantém prefeito afastado de Terenos com tornozeleira por mais três meses

Outros 14 investigados vão seguir usando tornozeleira eletrônica por mais 90 dias

O TJMS (Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul) homologou decisão do STJ (Superior Tribunal de Justiça) e prorrogou por mais 90 dias o monitoramento eletrônico do prefeito afastado de Terenos, Henrique Budke (PSDB), e mais 14 investigados. O tucano está afastado desde setembro de 2025.

Além do político, seguirão usando tornozeleira eletrônica:

  • Arnaldo Santiago, empresário;
  • Cleberson José Chavoni Silva, empresário;
  • Eduardo Schoier, empresário;
  • Fábio André Hoffmeister Ramires, policial militar e empresário;
  • Fernando Seiji Alves Kurose, empresário;
  • Genilton da Silva Moreira, empresário;
  • Hander Luiz Correa Grote Chaves, empresário;
  • Isaac Cardoso Bisneto, ex-secretário municipal de Obras e Infraestrutura;
  • Leandro Cícero de Almeida Brito, engenheiro;
  • Nádia Mendonça Lopes, empresária;
  • Orlei Figueiredo Lopes, comerciante;
  • Sandro José Bortoloto, empresário;
  • Sansão Inácio Rezende, empresário;
  • Valdecir Batista Alves, empresário.

No despacho, o desembargador da Seção Especial Criminal, Jairo Roberto de Quadros, reforçou que qualquer violação ao monitoramento levará à decretação da prisão preventiva. A decisão foi publicada na edição desta quarta-feira (7) do Diário da Justiça Eletrônico.

 

Em outra decisão, o vereador afastado Arnaldo Glagau (PSD) recebeu autorização para viagem. Como o caso está em sigilo, não é possível saber a data e o destino do deslocamento.

Gaeco desmonta esquema de corrupção liderado por prefeito de Terenos

Em 9 de setembro de 2025, o Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado) e Gecoc (Grupo Especial de Combate à Corrupção) deflagraram a Operação Spotless, contra um esquema de corrupção na Prefeitura de Terenos.

Foram expedidos 16 mandados de prisão e 59 mandados de busca e apreensão em Terenos, Campo Grande e Santa Fé do Sul (SP). O prefeito Henrique Budke (PSDB) é apontado como líder da organização criminosa.

A investigação apontou que o grupo liderado por Budke tinha núcleos com atuação bem definida. Servidores públicos fraudaram disputa em licitações, a fim de direcionar o resultado para favorecer empresas.

Os editais foram elaborados sob medida e simulavam competição legítima. Somente no último ano, as fraudes ultrapassaram os R$ 15 milhões.

O esquema ainda pagava propina para agentes públicos que atestavam falsamente o recebimento de produtos e de serviços e aceleravam os processos internos para pagamentos de contratos.

A Operação Spotless foi deflagrada a partir das provas da Operação Velatus, que foi realizada em agosto de 2024. O Gaeco e Gecoc obtiveram autorização da Justiça e confirmaram que Henrique Budke chefiava o esquema de corrupção.

Spotless é uma referência à necessidade de os processos de contratação da administração pública serem realizados sem manchas ou máculas. A operação contou com apoio operacional da PMMS (Polícia Militar de MS), por meio do BPChoque (Batalhão de Choque) e do Bope (Batalhão de Operações Especiais).

Budke foi solto ainda em setembro de 2025 após obter habeas corpus no STJ (Superior Tribunal de Justiça). O afastamento dele, que era voluntário, foi referendado pelo Judiciário.

Prefeito afastado e mais 25 são denunciados à Justiça

O MPMS (Ministério Público do Estado de Mato Grosso do Sul) denunciou o prefeito afastado de Terenos, Henrique Budke (PSDB), e mais 25 pessoas envolvidas no suposto esquema de corrupção na prefeitura.

Licitações de obras públicas eram direcionadas, e empresas se revezavam nos serviços, garantindo que o grupo se beneficiasse do esquema, que incluía pagamento de propina ao prefeito e a outros citados.

“O que se apurou na investigação é uma organização criminosa instalada no Poder Executivo do Município de Terenos, atuando há anos para fraudar licitações e saquear os cofres públicos, um verdadeiro balcão de negócios comandado pelo prefeito municipal [Henrique Budke]”, pontuou o procurador-geral de Justiça Romão Ávila Milhan Júnior.