Quarta, 19 de Setembro de 2018
CAMPO GRANDE
Com salário de R$ 16 mil, ex-assessor do Governo iria construir casa de R$ 1,5 milhão, diz MPE
via Redação MGS News em 07/09/2018
Ex-assessor da Secretaria Estadual de Governo, o 2º sargento da Polícia Militar, Ricardo Campos Figueiredo, 42 anos, planejava construir uma residência de R$ 1,5 milhão. Com salário de R$ 16,3 mil por mês, o então motorista e segurança velada do governador Reinaldo Azambuja (PSDB) sonhava alto antes de ser preso, conforme denúncia feita no mês passado por cinco promotores de Justiça.

Preso na Operação Oiketicus, deflagrada pelo Gaeco contra policiais militares envolvidos com a Máfia do Cigarro, Ricardo já é réu por obstrução de investigação de organização criminosa e porte ilegal de armas de fogo e munições de fuzil. Agora, ele foi denunciado por ser chefe de organização criminosa, corrupção passiva e lavagem de dinheiro.

Promovido três vezes por bravura e salário de R$ 16 mil, assessor do Governo é preso
De acordo com a nova ação penal, o militar dava cobertura para o contrabando de cigarro e teria recebido R$ 500 mil em propinas da organização criminosa entre 2015 e 2018, segundo o MPE.

Os promotores acusam o segundo sargento de ostentar padrão de vida totalmente incompatível com a sua remuneração. Em maio deste ano, antes de ser preso, ele tinha salário bruto de R$ 16.389, sendo R$ 8,2 mil de policial militar e R$ 8.128 pelo cargo de confiança na Governadoria.

Com este salário, o ex-assessor comprou a Chácara Santa Helena, com 2,1 hectares, por R$ 159,9 mil e uma caminhonete cabine dupla Hilux CD SRV, R$ 120,1 mil. O imóvel foi registrado em nome do filho, enquanto o veículo de um amigo, o cabo da reserva Alli França Belchior.


Trecho da denúncia em que os promotores falam da casa planejada pelo militar (Foto: Reprodução)

O ex-motorista do governador sonhava grande. De acordo com o MPE, ele contratou um arquiteto para projetar a residência na chácara. A casa teria 676,71 metros quadrados. Os promotores estimaram que a construção custaria R$ 1,5 milhão, no mínimo.

Além da “mansão”, o policial planejava construir área de lazer, que incluiu piscina e até SPA. De acordo com a denúncia, os materiais foram adquiridos em dinheiro. O valor não foi estimado pelo MPE.

Para os promotores Tathiana Correia Pereira da Silva Façanha, Tiago Di Giulio Freire, Marcos Roberto Dietz, Thalys Franklyn de Souza e Fernando Martins Zaupa, ele cometeu outro crime, ao adquirir os bens em nomes de terceiros.

Com base nesta denúncia, o juiz Alexandre Antunes da Silva, da Auditoria Militar, decretou a segunda prisão preventiva de Ricardo Campos Figueiredo. Ele já teve os pedidos de habeas corpus negados pelo juiz, pelo Tribunal de Justiça e pelo Superior Tribunal de Justiça.

Logo após a sua prisão em maio, o governador Reinaldo Azambuja determinou a exoneração do sargento do cargo de assessor na Secretaria de Governo. A PM anunciou a abertura de sindicância.

O processo mais adiantado é o da obstrução de investigação de organização criminosa. Contudo, a sentença depende do fim do impasse sobre a perícia nos celulares destruídos por Ricardo no dia da Operação Oiketicus.

O militar nega que tenha destruído os equipamentos e responsabiliza a esposa pelos danos causados nos celulares.

Por: edivaldo bittencourt

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