Domingo, 22 de Setembro de 2019
Dourados
Para alunos da UFGD, Barbosinha é omisso com intervenção de Bolsonaro na Reitoria
Imagem: ASSESSORIA
Publicado em 09/09/2019

Mesmo não sendo uma atribuição direta da Assembléia Legislativa, informalmente alguns estudantes ligados ao Diretório Central de Estudantes (DCE), junto a servidores e professores filiados ao Sindicato de Docentes e Técnicos Administrativos da Universidade Federal da Grande Dourados (UFGD) reagiram com indignação nesta semana, ao lembrar do silêncio do deputado estadual José Carlos Barbosa (DEM) no tocante as arbitrariedades na nomeação da pedagoga Mirlene Ferreira Macedo Damázio como reitora temporária desta instituição de ensino superior.

A lembrança se deu porque Barbosinha é concursado desde 2006 como professsor assistente em nível de mestrado na Faculdade de Direito e Relações Internacionais (Fadir), e como líder do governador Reinaldo Azambuja tem se omitido na intermediação de soluções na saturação dessas tensões junto a bancada federal de Mato Grosso do Sul no Congresso Nacional. O DCE afirma constantemente que a nomeação Mirlene Ferreira pelo ministro da Educação Abraham Weintraub fere de morte a autonomia universitária da UFGD, já que a decisão foi tomada sem discussão em órgão colegiado da universidade.

Mirlene Damázio substituiu a reitora Liane Calarge, O MEC ignorou a lista tríplice elaborada com a vitória do professor Etienne Biasotto, o documento foi envido em março pela UFGD, mas devolvida em seguida pelo Ministério da Educação, que apontou irregularidade na escolha dos nomes.

No mês passado, a Justiça Federal reconheceu a validade da referida lista tríplice, indo contra o parecer do MPF (Ministério Público Federal), mas a nomeação de Etiene é um ato discricionário do presidente da república, que independe da conssulta interna.

Os acadêmicos afirmam que a Assembléia Legislativa através dos deputados de Dourados que são liderados por Barbosinha, poderiam evitar esse desgaste na UFGD, caso buscassem através de interlocuções com o Ministério da Educação e demais congressistas, evitar que a nomeação da reitora pro tempore continue sendo feita “da pior forma possível”, via portaria do Ministério da Educação. “A professora nomeada não participou da consulta prévia, não está na lista tríplice e ainda mais, apoiou publicamente uma das chapas candidatas na consulta prévia, a Chapa 2 (UFGD em Ação) que terminou o pleito em último lugar com 18% dos votos”, afirmou um dos diretores do DCE que pede anonimato.

A inércia da classe politica local atrelada aos desmandos do Judiciário inviabilizaram o funcionamento da universidade, assim esse cenário local se insere num contexto nacional de ataques à educação pública e às universidades por parte do governo Bolsonaro e do ministro da Educação, Abraham Weintraub”.

A presença de um deputado estadual nesse debate pode ser oportuna, pois o Governo do Estado possui parcerias importantes com a UFGD. Somente em 2019 foram mais de R$ 75 milhões de investimentos científicos estaduais através da Fundação de Apoio ao Desenvolvimento do Ensino, Ciência e Tecnologia (Fundect), que anualmente lança editais para a concessão de bolsas para alunos de mestrado e doutorado de várias instituições federais.

O regular funcionamento de uma universidade é fundamental na formação de jovens pesquisadores. Graduada em biologia pela Universidade Federal da Grande Dourados (UFGD), a jovem Luiza Flavia Veiga Francisco, terminou o curso em 2017, e no mesmo ano ingressou no mestrado em Ciência e Tecnologia Ambiental. Com o projeto que tratava sobre estudos da água destinada ao consumo humano nas cidades de Itaporã e Caarapó, ela conquistou uma bolsa de estudos da Fundect.

O papel do Governo do Estado é promover convênios com as universidades no incentivo ao financiamento de bolsas de mestrado em diversas pesquisas, na publicação dos seus resumos em congressos importantes, além de artigos científicos em revistas com alto fator de impacto. Isso enriquece o currículo de alunos e docentes, melhorando a avaliação do desempenho acadêmico.

Atualmente cerca de 300 projetos de pesquisa e inovação estão vigentes através da Fundect, que atua em cinco áreas estratégicas: tecnológica e de inovação, apoio a projetos e pesquisa científica, formação de recursos humanos, realização de eventos técnico-científicos, além de incentivar a inovação nas empresas, e promover atividades especiais para ciência, tecnologia e inovação em vários organismos, entre eles a UFGD.

Parcerias importantes já existiram através de convênio entre Governo do Estadual e Universidade Federal da Grande Dourados (UFGD), para garantir que os alunos da rede estadual de ensino sejam isentos do pagamento da taxa de inscrição do Vestibular 2012. Foram isentos da taxa concluintes e aprovados da Rede Estadual de Ensino na 2ª etapa da Educação de Jovens e Adultos – na modalidade Ensino Médio e no 3º ano do Ensino Médio regular no ano de 2011, o que inexiste na atualidade por problemas políticos.

Outro agravante, é que as tenções vivenciadas na reitoria da UFGD poderão colocar em cheque projetos como o Programa Vale-Universidade que foi criado exclusivamente para beneficiar jovens de Mato Grosso do Sul que sonham em cursar uma faculdade e não possuem condições financeiras. Desde 2007 já foram contemplados no programa cerca de três mil estudantes. As universidades conveniadas neste período são: Aems, Fachasul, Facsul, Fad, FAP, FAPP, FCG, Fecra, Funlec, Magsul, Santa, Tereza, UCDB, UEMS, UEMS-Indígena, UFGD, UFMS, Unaes I, Unaes II, Uniderp, Uniderp II e Unigran.

O Portal MGS News coloca o site a inteira disposição dos citados para o devido direito de resposta.

Por: Jeferson Bezerra
Comentários
veja também
Rede News Online 2011 - 2019 © Todos os direitos reservados