Domingo, 22 de Setembro de 2019
Dourados
Dani Hall usa régua de Resende excluindo compadres de CPI na Saúde
Imagem: ASSESSORIA
Publicado em 15/08/2019

A vereadora Daniela Hall (PSD) ao pedir na última segunda-feira na tribuna da Câmara de Dourados a instauração de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) nos contratos da Funsaud (Fundação de Serviços de Saúde de Dourados), busca medir a gestão da prefeita Délia Razuk com a mesma régua emprestada do marido e ex-vereador Marcelo Hall e o atual secretário de saúde Geraldo Resende. Ambos que em gestões anteriores nunca tiveram a mesma disposição em polemizar o assunto, especialmente quando o Hospital Evangélico detinha o convênio com o SUS na urgência e emergência.

Noutra senda, os mesmos personagens estão dando sequência ao terceiro turno das eleições 2016, onde o ex-deputado federal foi derrotado nas urnas pela atual gestora, prejudicando inúmeros interesses privados e aleatórios do seu grupo político, culminando inclusive com a não reeleição de Resende ao cargo de deputado federal em 2018.

Caso consolidada a CPI, seria interessante investigar a gestão anterior do então prefeito Murilo Zauith (DEM) responsável por 80% dos problemas acarretados na autarquia, pois entre os anos de 2014 - quando foi criada - e 2016, já foram deixadas pouco mais de R$ 6 milhões em dívidas, considerando as quantias das demandas comparados aos pagamentos efetuados. Só em 2017 o valor necessário à purgação da mora com fornecedores era de R$ 51,2 milhões, com R$ 38,7 milhões pagos pela prefeita Délia, deixando um saldo devedor de R$ 11,8 milhões.

Como Zauith por força de lei delegou poderes ao diretor-presidente da autarquia, o primeiro depoimento na comissão deveria ser do enfermeiro Fábio José Judacewski que atualmente reside em Campo Grande, pois é o verdadeiro responsável por este bolo de neve, tanto que responde cinco ações de improbidade administrativa no Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul (TJ-MS) pelas irregularidades que estão ligadas desde a infringências a lei de licitações, bem como dano ao erário público.

Em 2016 durante dezenas de investigações, o Ministério Público também detectou mal utilização de recursos públicos no setor, tanto que esses fatos provam nas ações judiciais em que Fábio José é réu, que este antigo diretor da Funsaud ocasionou o início da crise, tanto que no seu mandato nunca foram feitas prestações de contas ao Tribunal de Contas do Estado/TCE.

Um atenuante é que no início da gestão da prefeita Délia, o então diretor-presidente do órgão Américo Salgado declarou claramente aos meios de comunicação que a gestão anterior não realizou relatórios satisfatórios para a situação econômica que se depararia os seus sucessores, para a fiel execução dos serviços confiados, a respeito do sistema orçamentário, financeiro, patrimonial, não refletindo a realidade das dependências econômicas e formais exigidas pela nossa legislação, para o prosseguimento, inviabilizando a Prefeitura de Dourados.

Assim como a personagem “Maria da Paz” de Juliana Paes na novela global “A Dona do Pedaço”, para projetar o ex-deputado Geraldo Resende ou a si mesmo como pré-candidatos a prefeito em 2020, estão vendendo ilusões folclóricas a sociedade ao tentar reinventar a roda, querendo responsabilizar unicamente a atual administração pelos dilemas enfrentados na Saúde Pública.

Movida pela emoção ao invés da razão nos seus atos desesperados, Daniela, esquece da verdadeira responsabilidade de Geraldo Resende como secretário de estado, que é impulsionar as prefeituras fazer funcionar a atenção básica nos municípios da região Sul, fortalecendo os postos de saúde já existentes com novos recursos humanos no atendimento ao público carente, para evitar que milhares de prefeitos se reduzam a meros compradores de ambulâncias, congestionando a porta do Hospital da Vida de pacientes de outras cidades em sua grande parte.

Igualmente, é unilateral a visão das vereadoras Lia Nogueira e Daniela Hall ao afirmar que existe um verdadeiro sinônimo de descaso na saúde unicamente na atual administração, quando os problemas são globais, e a intervenção realizada por determinação da prefeita Délia Razuk é justamente para rastrear os ex-gestores que são os verdadeiros responsáveis por esta problemática e responsabiliza-los civil e penalmente.

Instaurar nesse momento uma Comissão Parlamentar de Inquérito seria uma maneira de fazer a pré-candidata a prefeita “Maria da Paz” douradense ter mídia gratuita num período de seis meses ou mais ao polemizar um assunto que requer outras soluções que devem ser trazidas a nível nacional, primeiramente por iniciativa do Governo Federal através do Ministério da Saúde, e do Governo Estadual como agente suplementar na intermediação das soluções, e não jogando mais gasolina no incêndio. A Câmara de Dourados teria gastos desnecessários em diárias, passagens, disponibilidade de servidores e contratação de consultores nos trabalhos que já estão sendo realizados a contento na já existente comissão de saúde legislativa.

Por: Jeferson Bezerra
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