Terça, 02 de Marco de 2021
Diagnóstico alarmante
Alan Guedes administrará "herança maldita" deixada à Dourados pela ex-prefeita Délia Razuk
Imagem: Alan Guedes com Razuk e Azambuja: Estado pode ajudar na crise. (Assessoria)
Publicado em 23/01/2021

Realmente na vigência dos seus quatro anos de mandato, o prefeito de Dourados Alan Guedes (PP) administrará a todo momento as armadilhas ocasionadas pela "herança maldita" da gestão anterior (2017/2020), capitaneada por Délia Razuk (PTB). A previsão é que os resultados dessa completa ausência de planejamento sejam desastrosos, inclusive a escassez de recursos obrigará nos próximos dias o Município até escalonar os salários dos servidores públicos. "O gestor precisa ter uma visão pragmática ao gerenciar o orçamento anual, as praças e parques públicos abandonados ilustram o diagnóstico desse mandato que provocou o colapso em várias áreas, quando poderiam ser elaboradas concessões privadas desses locais à Associações de Moradores ou entidades de classe que iriam perfeitamente administra-los, evitando por exemplo sua depredação", disse José Carlos Pereira de Lima, presidente da Associação de Moradores do Conjunto Habitacional Canaã I.

Já antes da posse, Guedes e sua equipe de transição se depararam com os primeiros números da situação que encontrou os cofres públicos no dia 1º de janeiro, onde foram noticiados um verdadeiro dilúvio nos sistemas de saúde, educação e infraestrutura, totalizando a dívida global de R$ 179,6 milhões.

Segundo relatório da equipe de transição na época chefiada pelo professor Henrique Sartori, conceituado ex-ministro interino da educação no governo do presidente Michel Temer, essa relação de débitos começou na própria Funsaud (Fundação de Serviços de Saúde de Dourados), esta que deve uma moratória de R$ 34,5 milhões, seguindo pelo Previd (Instituto de Previdência dos Servidores do Município de Dourados), com mais de 24 milhões em parcelamento relativo à aliquotas descontadas dos seus filiados, finalizando com outra dívida contratualidade com o HU-UFGD (Hospital Universitário de Dourados) que ultrapassa R$ 10 milhões.

PREVIDÊNCIA MUNICIPAL:

Recentemente, o Previd (Instituto de Previdência Social dos Servidores do Município de Dourados) afirmou que a Prefeitura não repassou as contribuições previdenciárias e o aporte para quitação da moratória parceladas em audiência judicial, à época, o ato jurídico teve a participação da Procuradoria Geral do Município. Ao todo, foram informados a existência do rombo que passou dos R$ 11 milhões, adicionando até parcelas não pagas nos mandatos anteriores, mas que foram reconhecidas na totalidade pelo Município.

VAGAS NO EDUCAÇÃO INFANTIL:

De forma extrajudicial, na gestão da ex-prefeita Délia Razuk o Ministério Público Estadual interferiu ao conceder prazo de cinco dias para que fosse apresentado um plano para suprir o déficit de vagas nas creches, pois sem dados oficiais, ainda permanece a estimativa é de que até 3 mil crianças estejam na lista de espera.

Na ocasião, a Promotoria oportunizou também a Prefeitura explicar a relação de obras paralisadas que são destinadas a construção de Centros de Educação Infantil (Ceims), além do cumprimento de acordo judicial que estabelecia prazos legais para a entrega dos empreendimentos. O novo chefe do executivo municipal, Alan Guedes, precisará acionar a bancada federal no Congresso Nacional para alocar a liberação de recursos destinados ao término dos seguintes CEIMs: Parque das Nações I, Vila Erondina, Parque do Lago I, Jardim Vitória e Sitioca Campina Verde.

FRIGORÍFICO DO PEIXE:

Outra herança herdada por Razuk se resumiu na completa falta de expressão política dos ex-vereadores Alberto Alves dos Santos, o Bebeto (PTB), Silas Zanata (PSDB) e Madson Valente (DEM), que são moradores nos distritos rurais de Vila Vargas e Indápolis. Estes não conseguiram intermediar junto ao Município nenhuma parceria público/privada pelo término da obra inacabada do frigorífico de peixe, local que foi impulsionado para atender 700 piscicultores da região sul do Estado, mas que atualmente continua deteriorado no tempo em meio ao matagal, na margem da BR-163, isso na segunda maior cidade do interior.

Délia também se omitiu, dada a sua ausência na interação com o Congresso Nacional, quando era função do poder executivo municipal refazer os orçamentos da obra e requisitar novos recursos do Governo Federal, embora houvesse graves crises e contingenciamento de verbas na pandemia, o Município poderia perfeitamente fazer a interlocução com empresas privadas (multinacionais e industriais afins), objetivando que estas abatessem impostos caso se disponibilizasse a terminar o empreendimento.

"Somado a falta de incentivos à agricultura familiar que na cidade poderia incentivar a produção com hortas periurbanas, o completo abandono da Agrovila Formosa, o fechamento do Frigorífico de Itaporã cuja planta poderia servir ao abate de perus, o declínio da agroindústria, observamos inoperância da Prefeitura de Dourados ao intermediar soluções nas mais diversas temáticas regionais. Cabe ao gestor liderar esses debates, a piscicultura não tem esperança de crescimento na atualidade", diz Maria de Lourdes Pereira, 59 anos, aposentada e moradora no Jardim Novo Horizonte.

ELEFANTE BRANCO:

Iniciada em 2009 na administração do então prefeito Ari Artuzi (morto em 2013), que acabou preso e renunciou um ano depois, e financiada com verbas obtidas pelo então senador Delcídio Amaral – cassado em 2016, a obra do Frigorífico do Peixe consumiu R$ 1 milhão em dinheiro público.

Segundo o jornal Campo Grande News apontou há dois anos, a planta desse empreendimento é localizada na no trevo das BR-163 com a MS-376, na saída para a Capital, a obra parou ainda na gestão de Artuzi e nunca mais foi retomada. Seriam necessários pelo menos R$ 7 milhões para concluir a estrutura e comprar equipamentos. O que seria a câmara fria está depredada, portas foram arrombadas, peças furtadas e o forro está apodrecendo.

Por: DA REDAÇÃO / MGSNEWS
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